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A fila de espera para atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) para outras especialidades só fez aumentar com a pandemia gerada pelo novo coronavírus. Em Porto Alegre, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a maior fila de espera por atendimento atualmente é na área da saúde visual para pessoas adultas. São 13.391 solicitações de atendimento. Só em abril, 925 novas solicitações foram encaminhadas pela rede básica de saúde, enquanto a prefeitura ofertou apenas 173 consultas. Para casos gerais, em que a visão não é limpa e clara, são 345 dias de espera para ser atendido, em média, na capital gaúcha.

Segundo o Conselho Regional de Óptica e Optometria (CROO-RS), mais de 80% das pessoas que aguardam consulta pelo SUS para alguma enfermidade ocular possuem apenas problemas refrativos, como miopia e astigmatismo, que são as principais causas de cegueira evitável, casos em que é possível corrigir com o uso de óculos ou lentes de contato. Todo esse contingente poderia ser facilmente atendido por optometristas, segundo o presidente do CROO-RS, Alexandre Classmann.

“A falta de atendimento imediato, além de acarretar severas perdas na qualidade de vida, pode agravar os problemas oculares. Esse tempo desumano de espera acarreta prejuízos irreversíveis à visão, incapacitando as pessoas para determinadas atividades”, explica o presidente do CROO-RS.

Para o dirigente, há uma saída simples para reduzir essa fila, pelo menos no caso da saúde visual. Segundo Classmann, como em países desenvolvidos, o sistema público deveria se valer mais dos optometristas, que são os profissionais de nível superior que fazem o atendimento da demanda primária da saúde visual.

Esses profissionais tem capacitação para avaliar a condição de todo o sistema ocular, aferindo sua integridade e sinais de deficiência visual que possam ser corrigidas com a receita de óculos ou lentes. Os optometristas também estão aptos a identificar alterações oculares que necessitem de intervenção médica.

“A OMS aponta o optometrista como o agente primário da visão justamente por ele estar capacitado para avaliar o sistema visual, a integridade de tecidos, a fisiologia, medir, reabilitar o potencial prejuízo, fazendo com que os casos graves possam chegar mais precocemente, ou a tempo, de cuidados médicos. Essa prática potencializaria significativamente as chances de cura, reduzindo os prejuízos e o sofrimento dos pacientes”, destaca o presidente do CROO-RS.

Atualmente, existem 5 mil optometristas registrados no Brasil e 12 polos universitários que oferecem a formação superior na área de optometria. Só no RS, mais de 300 profissionais exercem a atividade.